O mestre Lee Ying Arng, em seu livro “Lee’s Modified Tai Chi Chuan for Health” (Unicorn Press, Hong Kong, 1974), atribui a criação desta arte marcial interiorizada à Wang Zong-Yue, autor do primeiro manual de Tai Chi Chuan e inspirador de todos os estilos oficiais reconhecidos na República Popular da China.
Através do prefácio do manual escrito por Wang Zong-Yue , sabe-se que ele viveu em Luo Yang, na província de Honan, em 1791 quando a Dinastia Qien Lung estava em seu 56º ano; e também que ele nasceu no início desta mesma dinastia, foi professor de escola, mas não se tem informação de sua morte. O manual traz tratados inéditos que estabelecem as bases da arte do Tai Chi Chuan enraizando-os nos princípios do Diagrama do Tai Chi.
É importante ressaltar que o Tai Chi Chuan somente tornou-se conhecido na China no século XVIII, quando Yang Lu Chan (1799-1872), da província de Hopei, foi à Beijing (capital imperial chinesa), e lá fundou uma escola para ensinar esta arte cavalheiresca. A característica do Tai Chi Chuan de unir a arte de auto defesa com a busca da longevidade logo atraiu a atenção dos nobres que a procuraram como uma alternativa para as outras artes marciais mais extrovertidas.
A história de Yang Lu Chan coincide com a própria história do Tai Chi Chuan: ele foi aluno de Chen Chang Xing (1771-1853), pertencente ao clã da família Chen da aldeia Chen Jia Gou localizado em Hopei; este por sua vez, aprendeu com Jiang Fa que foi discípulo de Wang Zong Yue. Posteriormente, a partir de Yang Lu Chan, a genealogia do Tai Chi Chuan tornou-se fácil de traçar.
No decorrer dos séculos, diferentes mestres deram tons distintos aos movimentos, resultando nos três grandes ramos desta arte: os estilos Chen, Yang e Wu; porém todos em sintonia e em conformidade com as teorias de Wang Zong Yue.
A prática do tai chi nos dias de hoje tem sido muito benéfica para a terceira idade, melhorando o equilíbrio, a postura, a coordenação motora, força, resistência e flexibilidade reduzindo assim a possibilidade de quedas.
O tai chi é uma prática lenta, sem impacto e bastante controlado coordenado com a respiração.
Um estudo feito pela Universidade Católica de Brasília – UCB e pela Universidade de Brasília – UnB, afirma: “Estudos a respeito dos efeitos do Tai Chi Chuan (TCC) sobre a fisiologia humana apontam esta modalidade de Ginástica Chinesa como capaz de incrementar ganhos de condicionamento físico, força e equilíbrio entre os praticantes idosos, ajudando na prevenção de quedas (FEDER et al., 2000; OLIVEIRA et al., 2001).Especificamente com relação à artrite, estudos exploratórios verificaram diminuição na severidade da dor e da disfunção articular, melhora na qualidade de vida e na mobilidade com a utilização do TCC. E dentre os benefícios psicológicos decorrentes da prática do TCC foram relatados aumento da sensação de bem-estar, redução do estresse, além da diminuição da ansiedade e da percepção da dor (GOMES, L.; PEREIRA, M.M.; ASSUMPÇÃO, L.O.T., 2004a; GOMES, L.; PEREIRA, M.M.; ASSUMPÇÃO, L.O.T., 2004b).”
Eu, humildemente, contribuo para dar continuidade ao estilo de meus mestres, procurando ensinar aos meus alunos da Terceira Idade um pouco desta maravilhosa arte marcial.


